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Historia do PediaSuit®

PROTOCOLO PEDIASUIT®

O que é?

É um tratamento intensivo, com duração de quatro semanas com quatro horas diárias de exercícios associado ao uso de um macacão terapêutico ortopédico, que irá promover um ajuste biomecânico no paciente.

É um recurso usado pelo fisioterapeuta no tratamento de sequelas neurosensoriomotoras como: hemiplegia, diplegia, tetraplegia, ataxia, discinesia.

1) História
Em 1971, o “Penguin suit” foi desenvolvido pelo programa espacial da Rússia. Este suit especial foi usado pelos astronautas em vôos espaciais para neutralizar os efeitos nocivos da ausência de gravidade e hipocinesia sobre o corpo: perda de densidade óssea, alteração da integração das respostas sensoriais, atrofia muscular, alteração da integração das respostas motoras, alterações cardiovasculares, e desequilíbrios homeostáticos . Cientistas e especialistas em medicina espacial, depois de uma longa pesquisa, criaram este suit com ação de carga, o que tornou, longas viagens ao espaço possíveis.

O suit desenvolvido pelo programa espacial russo foi o primeiro passo para a moderna “suit terapia”. No entanto, este suit limitava o movimento dos astronautas, e era difícil de ser vestido. Por outro lado, o seu design ortopédico dinâmico foi um sucesso. O fato de que ele podia ser usado por longos períodos de tempo foi a base da criação da terapia intensiva com o suit. Mais tarde, a tecnologia da “suit terapia” passou a ser compartilhada com profissionais de reabilitação. Eles perceberam que os efeitos da ausência da gravidade eram semelhantes aos problemas físicos em pacientes com Paralisia Cerebral (PC) e outras condições neurológicas. Por essa razão, eles decidiram adaptar o suit para pacientes com PC.

Em meados dos anos 90 uma clínica na Polônia deu um passo além, e desenvolveu o “Adeli suit”, o primeiro a ser usado em crianças com PC.

2) O PediaSuit


O PediaSuit  é uma vestimenta ortopédica macia e dinâmica que consiste em chapéu, colete, calção, joelheiras e calçados adaptados que são interligados por bandas elásticas. O conceito básico do PediaSuit  é o de criar uma unidade de suporte para alinhar o corpo o mais próximo do funcional possível, restabelecendo o correto alinhamento postural e a descarga de peso que são fundamentais na modulação do tônus muscular da função sensorial e vestibular. As bandas elásticas são ajustáveis, o que significa que se pode aplicar axialmente no corpo uma descarga de 15 a 40 kg.

O PediaSuit  é o tipo mais moderno de macacão terapêutico ortopédico disponível atualmente. O PediaSuit foi criado em 2006 por Leonardo de Oliveira (figura 2), co‐fundador da Therapies4kids.

A Therapies4kids é uma clínica de terapia intensiva localizada em Fort Lauderdale (Flórida, Estados Unidos da América) e ela foi criada para a reabilitação do seu filho, Lucas, que é hemiplégico, devido a uma anóxia cerebral, e precisava de tratamentos eficazes, como a terapia intensiva. Lucas começou a engatinhar após a primeira semana de terapia intensiva

com o uso do macacão terapêutico ortopédico e começou a caminhar no final da terceira semana.

2.1 Aspectos funcionais do PediaSuit

Após a história de sucesso de Lucas, Leonardo de Oliveira e um grupo de terapeutas desenvolveram o PediaSuit  com base no “Penguim suit” da Rússia, mas com adaptações e

melhorias consideradas necessárias como: 1) Saída de emergência dos shorts, 2) Material mais poroso e de melhor transpiração. 3) Gola mais anatômica 4) Tela perfurada. Essas mudanças foram feitas por um grupo de colaboradores profissionais da área da saúde baseados nos EUA: Luana Pedrozo, MSPT (Halandale Beach,FL); Braz Paiva, PT (Oakland Park,FL); Justin Thomas, Fisiologista e EMT(Fort Lauderdale,FL).


Figura 2

O grupo percebeu que o material para a confecção do macacão terapêutico ortopédico precisava ser mais leve, transpirável e, também, precisava ser de fácil aplicação e remoção, além de ser confortável. O grupo de profissionais, somado aos colaboradores da área da saúde, discute com frequência o que pode ser feito para melhorar ainda mais o macacão terapêutico ortopédico, tornando o PediaSuit  uma terapia em constante evolução. A ideia era a de fazer um macacão terapêutico ortopédico de fácil acesso, que pudesse ser ensinado aos terapeutas de todo o mundo e, também, para os pais de pacientes de outros países, onde não existem clínicas do PediaSuit .

A integração sensorial foi também uma preocupação para os designers. Com base nas experiências diárias e descobertas da Professora Temple Grandin (Texas), doutora em ciência animal e inventora da máquina do abraço, o grupo decidiu projetar exercícios para pacientes autistas. O grupo levou em consideração as propriedades da máquina do abraço, e tornou o PediaSuit  uma máquina do abraço dinâmica, com a qual o paciente pode caminhar e fazer tarefas ocupacionais com o conforto e input sensoriais necessários. Até hoje, muitos pacientes com necessidades especiais têm se beneficiado do uso do PediaSuit. As histórias de sucesso são muitas e estas não envolvem somente uma melhora em seu quadro motor, mas uma melhoria em sua qualidade de vida em geral.

Com relação a sua confecção, o PediaSuit  é fabricado nos EUA, com várias peças vindas da Índia, Indonésia e Malásia. O PediaSuit é feito de um tecido macio, transpirável, com almofadas para tornar a sua utilização, a longo prazo, mais confortável para os pacientes. Seu calção também tem botões na parte inferior para fazer a troca das fraldas, se necessária, mais fácil para os responsáveis, sem a necessidade de retirar todo o macacão terapêutico, ganhando tempo precioso de terapia.

O exoesqueleto produzido pelo macacão terapêutico ortopédico aumenta significativamente os efeitos na habilidade do paciente em executar novos planos motores. O macacão terapêutico, combinado com a repetição dos exercícios, tem a habilidade de fornecer plasticidade cerebral para a apreensão de novos padrões de movimentos, fazendo com que os pacientes aprendam estes novos padrões e ganhem força muscular ao mesmo tempo. Isso, associado ao treinamento de força muscular, torna o PediaSuit  ideal para o tratamento de muitos distúrbios neurológicos, especialmente paralisia cerebral.

2.2 Base Neurofisiológica

A teoria, por trás da terapia com o macacão terapêutico (Órtese Proprioceptiva), é a de que, uma vez que o corpo esteja em alinhamento, com o suporte e a pressão exercidos em todas as articulações, a terapia intensiva vai reeducar o cérebro para reconhecer padrões de movimentos funcionais e a atividade muscular. O fato de que os resultados obtidos com o tratamento com este tipo de terapia são mantidos após o ciclo de tratamento é, também, de grande importância. Todas as fases e componentes do protocolo PediaSuit  têm sua fundamentação cientifica descrita há muitos anos. O Protocolo agregou tratamentos em uma única sessão com a otimização do equipamento e da Órtese Proprioceptiva para a formação da Terapia Intensiva.

O sistema vestibular é um sistema fundamental que afeta nossa capacidade de movimento e equilíbrio. Nosso corpo tem muitos órgãos sensoriais que enviam informações ao cérebro sobre o que o nosso corpo está vivenciando, onde estamos no espaço, e se nosso corpo está seguindo o comando do cérebro. Os receptores sensitivos e proprioceptivos que temos em todas as nossas articulações são os principais intervenientes nesta comunicação. Com o uso do macacão terapêutico ortopédico essa comunicação é facilitada, uma vez que a ação do mesmo causa a compressão de todas as grandes articulações.

O macacão terapêutico ortopédico auxilia na plasticidade do sistema nervoso central, permitindo que o paciente adeque complexos padrões de movimentos patológicos e que execute e repita padrões de movimento previamente desconhecidos.

O princípio de ação da terapia com o uso da Órtese Proprioceptiva é o de focar na correção da postura do paciente e no padrão funcional de movimento. Isto pode ser atingido dando o suporte que o paciente necessita através de ajustes realizados no macacão. Em consequência, um poderoso fluxo de impulsos aferentes influencia no centro motor do cérebro a fim de restabelecer as suas funções danificadas. Como efeito, as sinergias patológicas estabelecidas são desencorajadas e novas sequências de funcionalidade são criadas.

3) Utilização do PediaSuit  na Terapia Intensiva

O uso da Órtese Proprioceptiva, combinada com o protocolo de terapia intensiva, foca no desenvolvimento motor, no reforço muscular, na resistência, na flexibilidade, no equilíbrio e na coordenação. Os elementos chaves deste tipo de terapia são o PediaSuit  e a “Ability Exercise Unit” (AEU) ou “gaiola”.

A “Gaiola Monkey” (figura 3) é uma gaiola de metal tridimensional rígida com polias metálicas que são arranjadas para alongar e fortalecer os grupos musculares.

Na “Gaiola da Spider”, o paciente usa um cinto de couro, ao qual cabos elásticos estão conectados. Desta forma, o paciente é suportado e pode seguramente aprender a fazer transferência de peso, saltar, ajoelhar, subir degraus e passar sobre objetos. A “Gaiola da Spider” (figura 4) é uma ferramenta eficaz para a aplicação do tratamento do Conceito Bobath, um dos métodos mais difundidos e aceitos para a “reprogramação” do sistema nervoso central e neuromuscular e para ensinar cérebro as habilidades motoras funcionais.


Figuras 3


Figuras 4

4) Indicações

A terapia com o macacão terapêutico ortopédico, combinada com a fisioterapia intensiva, tem sido benéfica para crianças com diagnósticos, incluindo:

  • Paralisia cerebral
  • Atraso no desenvolvimento motor
  • traumatismo crâniobencefálico
  • AVC
  • Ataxia
  • Atetose
  • Deficiências neurológicas
  • Deficiências ortopédicas
  • Doenças genéticas
  • Sequelas pós‐cirúrgicas
  • Lesões da medula espinhal
  • Transtornos vestibulares
  • Síndrome de Down

 
5) Precauções e Contra-indicações

Antes de iniciar a terapia com o macacão terapêutico ortopédico, um exame de raio‐x recente do quadril se faz necessário. Caso o paciente apresente escoliose, um raio-x da coluna também é solicitado. Crianças com certas condições médicas não são candidatas para a terapia com o macacão terapêutico ortopédico ou podem precisar de adaptações ou de uma monitorização rigorosa.

O uso do macacão terapêutico ortopédico pode ser prejudicial aos pacientes que apresentam as seguintes condições:

  • Luxação do quadril
  • Atividades convulsivas descontroladas, a terapia realizada com um espelho na frente do paciente é aconselhável para detectar crises.
  • Hidrocefalia (com derivação shunt): pode usar o macacão terapêutico ortopédico, mas qualquer atividade que coloque o paciente com a cabeça para baixo deve ser limitada.
  • Diabetes: requer um lanche a cada 20 minutos.
  • Problemas de fígado ou rim, estes pacientes têm um aumento em seus níveis de proteína, o que faz com que o coração trabalhe mais.
  • Pressão arterial elevada, uma vez que em repouso a ação do macacão terapêutico ortopédico pode aumentar a pressão arterial em 20%, devemos monitorar pacientes com pressão alta constantemente.
  • Espasticidade severa combinada com contraturas articulares
  • Altura inferior a 85 centímetros
  • Terapia com bomba de baclofeno
  • Traqueostomia e/ ou tubo gastrointestinal

Aos pacientes com qualquer uma das condições listadas acima será exigida uma autorização médica para participar de terapia intensiva com o uso do macacão terapêutico ortopédico. Contra-indicações absolutas para o tratamento com a terapia com o macacão terapêutico ortopédico:

  • Subluxação ou luxação do quadril superior a 50%
  • Escoliose superior a 25 graus
  • Osteoporose
  • Pressão arterial elevada
  • Certos tipos de doença cardíaca
  • Alterações vasculares graves
  • Distrofias musculares

 
6) Os benefícios da terapia com o uso do macacão terapêutico ortopédico são os seguintes:

  • Melhora do input sensorial e motor do SNC
  • Modula o tônus muscular
  • Melhora do ajuste biomecânico com a estabilização externa
  • Melhora o alinhamento do quadril por meio de carga vertical sobre o mesmo
  • Melhora da simetria corporal
  • Proporciona a estimulação tátil
  • Corrige o padrão de marcha
  • Ajuda a diminuir as contrações
  • Melhora a densidade óssea
  • Promove o desenvolvimento de habilidades motoras finas e grossas
  • Promove resistência para reforço muscular
  • Melhora a consciência corporal em relação ao espaço
  • Promove estabilidade muscular
  • Modulação de ataxia e atetose
  • Fornece input vestibular
  • Auxilia na produção da fala e deglutição por melhorar o controle da cabeça e a sustentação do tronco.

 
7) Paralisia Cerebral e a Terapia com macacão terapêutico ortopédico

Pacientes com paralisia cerebral constituem o maior número de atendimentos no programa de terapia intensiva com o uso do macacão terapêutico ortopédico.

Paralisia cerebral (PC) é a mais comum desordem neurológica do desenvolvimento, ocorrendo 2 ou 3 casos por 1000 nascidos vivos. PC descreve um grupo de desordens permanentes do desenvolvimento do movimento e da postura secundária a uma lesão não progressiva do cérebro imaturo.

Crianças com paralisia cerebral geralmente demonstram problemas com as funções e estruturas do corpo, tais como redução da força muscular, limitação da mobilidade articular passiva, controle motor alterado, e pobre alinhamento postural o que faz com que suas atividades sejam afetadas.

Crianças com paralisia cerebral têm potencial para melhorar sua função devido à plasticidade do sistema nervoso central. Plasticidade é a capacidade do cérebro de aprender, lembrar e esquecer, assim como a capacidade de se reorganizar e se recuperar de uma lesão.

Bower et al. (1996) administraram curtos periodos de terapia intensiva (3 semanas) para 44 crianças com paralisia cerebral, enfatizando a aquisição de habilidades motoras. A terapia intensiva resultou na aquisição de habilidades significativas quando comparadas a sessões convencionais de fisioterapia.

Muitos terapeutas relutam em usar exercícios de fortalecimento muscular com pacientes neurológicos com medo de aumentar a espasticidade e os padrões de movimentos anormais. No entanto, alguns estudos têm demonstrado que o aumento de força muscular isolada com resistência não aumenta a espasticidade. A importância da força muscular em crianças com PC é a relação direta entre forca e função motora.

Por todas as razões acima mencionadas, a terapia intensiva combinada com o uso do macacão terapêutico ortopédico, é de grande benefício para crianças com paralisia cerebral.

8) Alterações ósseas na Paralisia Cerebral

Alterações ósseas e articulares em pacientes com paralisia cerebral são decorrentes de espasticidade e contratura muscular. A coluna vertebral e os membros inferiores são os mais comumente afetados. Escolioses podem progredir rapidamente e continuar evoluindo após a maturidade esquelética. O aumento da cifose torácica e da lordose lombar, espondilolistese,

espondilólise e obliqüidade pélvica podem acompanhar a escoliose. A progressiva flexão do quadril e adução podem levar à deformidades, aumento da rotação femoral, coxa valga aparente, subluxação, deformidades da cabeça femoral, luxação do quadril, e a formação de pseudoacetabulo. No joelho, contratura em flexão, patela alta, fragmentação da patela, e recurvato são as anormalidades mais comuns. O progressivo equino e equinovalgo do pé e tornozelo estão associados com deformidade “rocker>bottom” e subluxação da articulação talonavicular.

A prevalência de escoliose em pacientes com paralisia cerebral espástica varia entre 15%‐61%. A curvatura vertebral é tipicamente menor de 40 graus, mas pode variar de 10 a 146 graus. A incidência aumenta com a idade e diminui a habilidade de caminhar, sendo os homens mais afetados que as mulheres. Na maioria dos casos, existe a progressão de deformidade postural para a forma fixa.

A subluxação e luxação do quadril são a segunda deformidade mais comum em pacientes com paralisia cerebral espástica, com uma predominância de 28%. Os músculos adutores e iliopsoas espásticos predominam sobre os fracos abdutores e extensores do quadril, resultando em marcha de tesoura ou deformidade em escorregamento. Esta deformidade é freqüentemente causada por uma contratura em adução de um quadril e em abdução do quadril oposto.

A anteversão femoral (o ângulo do colo femoral faz um plano transversal com os côndilos femorais) geralmente é aumentada em crianças com PC. A anteversão femoral normal é de 30 a 50 graus em lactentes e diminui ao longo da infância. Os pacientes com PC têm um aumento persistente da anteversão femoral, devido à descarga de peso atrasada e aos desequilíbrios musculares. Nos pacientes com PC espástica a média do ângulo de anteversão é de 55 graus em pacientes ambuladores de 57 graus em pacientes que não caminham.

A subluxação do fêmur pode vir a progredir para um deslocamento em uma média de sete anos. Subluxação e luxação crônicas podem resultar em displasia acetabular e doenças degenerativas secundárias. Com o progresso da subluxação, achatamento medial ou lateral da cabeça do fêmur pode ocorrer, e, se ambos ocorrerem, uma forma triangular da cabeça do femur será vista no raio X. Deslocamentos podem causar o desenvolvimento de um Pseudo-acetabulum ao longo da margem lateral do ílio.

Estas deformidades posturais podem resultar em problemas secundários, como dor, perda da independência, úlceras de pressão, problemas cardiovasculares e respiratórios, dificuldades de deglutição e distúrbios do sono.

O reconhecimento precoce dessas deformidades progressivas é fundamental. A terapia com o macacão terapêutico ortopédico, combinada com a terapia intensiva é são uma ótima ferramenta para tratar e prevenir alterações posturais irreversíveis em crianças com paralisia cerebral.

9) Protocolo PediaSuit

A terapia com o macacão terapêutico ortopédico, combinada com a terapia intensiva, consiste em um programa de 80horas de tratamento realizadas em 4 semanas. O programa combina fisioterapia e terapia ocupacional. Em um programa de terapia regular, seriam necessários mais de seis meses para a criança completar 80 horas de terapia. Por esta razão, com o protocolo intensivo, os resultados podem ser vistos precocemente.

O protocolo é baseado em três princípios:


Figura 5

1. Efeito do macacão terapêutico ortopédico (atividades realizadas contra a resistência dada pelos elásticos, aumento proprioceptivo, e realinhamento postural)

2. Terapia intensiva 5dias/semana, por 4 semanas

3. A participação motora ativa do paciente A sessão de 4 horas: inicia‐se no  colchonete com aquecimentos e exercícios terapêuticos. Esta parte dura uma cerca de 45 minutos. Logo após, o Macacão é vestido no paciente. Dentro das próximas três horas, as crianças executam atividades de fortalecimento muscular isolado na “gaiola Monkey” e, praticam transições na “gaiola Spider”. Além disso, atividades para melhora do controle postural, do equilíbrio, da coordenação, da marcha (figura 5), e das habilidades motoras também são realizadas.

Após duas horas de terapia os pacientes têm um intervalo de 15 minutos para um lanche.

Alguns pacientes participam de apenas um ciclo de terapia intensiva por vez. Neste caso, no final da 4ª semana, um programa de exercícios para casa é dado aos cuidadores, a fim de manter os ganhos obtidos durante o ciclo de terapia intensiva. Entretanto, alguns pacientes participam de mais de um ciclo de terapia intensiva por vez. Quando for este o caso, um período de manutenção é necessária entre os ciclos. Após 4 semanas de terapia intensiva, os pacientes têm um período de recuperação de 2 semanas, isso significa que por 2 semanas eles irão participar de apenas 12 horas de terapia, 6 horas em cada semana. Após estas duas semanas de manutenção eles estão prontos novamente para o próximo ciclo de terapia intensiva por 4 semanas.

10) Ganho e manutenção da forca muscular e resistência com o PediaSuit

Treinamento muscular é o uso da contração muscular contra resistência para construir força, resistência e aumentar o tamanho das fibras musculares. Existem muitos métodos de treinamento de força, sendo o mais comum o uso de gravidade. No caso do PediaSuit, a maioria dos pacientes cumprem a meta do treinamento de força com o uso de repetição, peso, e a constante resistência dada pelas bandas elásticas.

Os exercícios dependem da capacidade funcional de cada indivíduo e dos objetivos da terapia individual. Quando adequadamente realizado, o treinamento de força pode proporcionar significativos benefícios funcionais, melhoria da saúde geral, incluindo um aumento da densidade óssea. Também, uma melhora da função articular, uma redução no potencial de lesões e uma melhora da função cardíaca. As crianças que participam do protocol PediaSuit apresentam melhoria na maioria, ou em todas as áreas mencionadas acima. Este protocolo é intensivo por um período de quatro semanas com pouco descanso entre as séries para maximizar os ganhos da terapia. Esta parte do protocolo PediaSuit  é projetada para aumentar o nível de neurotransmissores nas crianças. No entanto, cada criança deve ser acompanhada de perto, uma vez que o aparecimento da fadiga é uma realidade quando a frequência do exercício é intensa.

A fadiga muscular ocorre quando o músculo não é mais capaz de sustentar as contrações, ou produzir força, o que pode ocorrer em uma variedade de condições. Estas condições incluem: formação de lactato (um subproduto do metabolismo energético), esgotamento da fosfocreatina (um contribuinte para o metabolismo energético), a depleção de glicogênio (especialmente em atividades superiores a 30 minutos de duração), fadiga neuromuscular (causada por falha na transmissão neural, o que sinaliza a contração do músculo), e o sistema nervoso central também pode perceber a fadiga como um mecanismo de proteção.

A maioria dos pacientes atendidos na terapia intensiva apresentam algum tipo de desordem neurológica como paralisia cerebral, traumatismo crâniobencefálico, síndromes genéticas, autismo, etc. Fadiga neuromuscular é o tipo visto com mais frequência na terapia intensiva.

Outro fato que preocupa os terapeutas durante o protocolo PediaSuit  é a ingestão calórica. Muitas crianças vistas neste programa de terapia intensiva possuem gastrostomia (um tubo gástrico, que é introduzido através de uma pequena incisão no abdômen para dentro do estômago e é usado para a nutrição a longo prazo). Ao utilizarem o tubo, as crianças devem fazer um intervalo após duas horas de terapia para receber a nutrição necessária para o ganho de força. Crianças que recebem alimentação via oral, também fazem um intervalo de 15 minutos após 2 horas de terapia para reposição calórica.

A fase de manutenção, no âmbito do protocolo PediaSuit, permite que o paciente descanse da terapia intensiva. Os músculos experimentam um grande estresse depois de uma sessão de exercícios, tanto se o treinamento for realizado com peso ou se a atividade for aeróbica. A tensão sobre os músculos varia de acordo com a intensidade do exercício, quantidade de nutrientes na dieta e a duração da atividade em que os músculos foram trabalhados. Um intervalo é necessário para que o músculo se recupere para o próximo ciclo de exercícios.

Existem quatro componentes envolvidos na recuperação muscular: restauração de fluidos e eletrólitos, reposição do glicogênio muscular, redução do estresse imunológico e muscular e reconstrução da proteína muscular.

10.1. Restauração de fluidos e eletrólitos

Durante o exercício, a água e certos minerais chamados eletrólitos são expelidos do corpo através da transpiração. A função do suor é de evitar que a temperatura do corpo suba durante o exercício, o que é importante, mas isto tem um custo, uma vez que a água e os eletrólitos desempenham funções importantes dentro do corpo, que não podem mais ser desempenhadas quando estes são perdidos através do suor. Quanto mais água o corpo perde, menos eficaz o “sistema de refrigeração” se torna. Ao mesmo tempo, eletrólitos minerais como magnésio, sódio e potássio são necessários para uma variedade de processos que vão desde o transporte de nutrientes até a transmissão nervosa.

10.2. Reposição do glicogênio muscular

A fonte de energia primária para atividades de moderada a alta intensidade é o glicogênio armazenado nos músculos e no fígado e a glicose presente na corrente sanguínea. Ambos, glicogênio e glicose, são produtos da degradação de carboidratos, e por esta razão eles são muitas vezes chamados de “combustível do carboidrato”. Após o exercício, quanto mais cedo o paciente começa a repor o glicogênio muscular consumindo carboidratos, melhor. Isso porque, após o exercício, as células musculares são muito mais receptivas à insulina, o hormônio responsável pelo transporte da glicose através da corrente sanguínea para o fígado e os músculos, onde podem ser armazenadas como glicogênio. O organismo pode sintetizar glicogênio 23 vezes mais rápido durante as primeiras duas horas após o exercício do que pode em outros momentos.

10.3. Reduzindo o estresse muscular e imunológico

A longo prazo, o treinamento muscular fortalece os músculos e o sistema imunológico. No entanto, treinos individuais podem lesar os músculos e suprimir temporariamente a função do sistema imunológico. Felizmente, a nutrição adequada pode minimizar esses efeitos e acelerar a recuperação dos mesmos.

10.4. A reconstrução de proteína muscular

Embora não seja uma fonte de combustível preferido, a proteína é usada para produzir energia durante o exercício prolongado, quando o glicogênio muscular se esgota. Este processo é conhecido como catabolismo. Além disso, a concentração elevada de cortisol no sangue, que está associada ao catabolismo, também dificulta a reconstrução da proteína muscular, desviando os aminoácidos para o fígado. Uma vez que a proteína é um importante elemento estrutural dos músculos, o catabolismo deixa os músculos em um estado de enfraquecimento. Para que os pacientes possam se recuperar e se adaptar a este esforço físico, eles precisam agir rapidamente para reconstruir a proteína muscular logo após o exercício.

Créditos:

Luana Pedrozo (Fisioterapeuta)

Justin Thomas (Fisiologista)

Leonardo de Oliveira (Criador e Terapeuta Ocupacional (A)

Silvana Vasconcelos (Fisioterapeuta Instrutora do Protocolo PediaSuit).